quinta-feira, 7 de maio de 2020

Amilcar de Castro foi um brasileiro importante para a arte (Texto publicado pela Agência Pandartt)



Amilcar de Castro estabeleceu uma reputação imponente com suas esculturas em grande escala feitas de grossas folhas de ferro. Comparado pelos críticos aos “recortes de aço de um alfabeto imaginário” ou ainda “abstrações gigantes de aviões de papel”, suas obras possuem formas simples e ainda destinam-se a criar peças delicadas de luz e sombra.

Suas esculturas de ferro foram projetadas para instalações ao ar livre, visando incentivar a interação com os elementos. Desse modo, convida o espectador a deliciar-se com as formas e os padrões que a ferrugem aborda em suas vastas superfícies.

Início da carreira

Filho de um importante promotor e juiz municipal, acabou formando-se em direito, entretanto, ainda nesse período, já começava a mostrar aptidão para desenho, pintura e escultura.
Sua carreira teve início na área do design gráfico, onde teve papel fundamental ao ser o responsável pela revolução gráfica do design de diversos jornais brasileiros da década de 1950. Sua maior contribuição é ligada diretamente ao Jornal do Brasil.
Durante sua juventude acumulou diversas participações ligadas a bienais de arte do Rio de Janeiro e Salvador. Quando recebe o prêmio de primeiro lugar de escultura no Salão Nacional de Arte Moderna da Bahia, passa a ter contato com concretistas do estado de São Paulo.

Manifesto neoconcreto

Amilcar de Castro
foi um dos artistas mais prolíficos a trabalhar com o legado construtivo da cena artística brasileira. De Castro foi co-signatário do Manifesto neoconcreto em 1959, ao lado do poeta Ferreira de Gullar e das artistas visuais Lygia Clark e Lygia Pape.
Só a partir da década de 1960 começa a se concentrar em criar esculturas. Tendo sua principal expressão situada no Rio de Janeiro, os neoconcretistas se distanciaram da característica racionalista rígida do concretismo desenvolvida pelo grupo paulista.
Desse modo acabam sendo mais abertos ao orgânico, à subjetividade, à experimentação e à incorporação de sentimentos entre artista, observador e obra de arte. Seus métodos adotatos podem ser vinculados diretamente aos trabalhos realizados ainda como designer gráfico, do mesmo modo que se associa a sua herança mineira.
Apesar de ser menos conhecido em Portugal e no resto da Europa, participou de momentos marcantes da arte brasileira do pós-guerra, como a 2ª Bienal de São Paulo (1953) e a Exposição Nacional de Arte Concreta (1956).
Ele também participou da exposição internacional Konkrete Kunst em Zurique. Também em 1968, foi para os EUA com uma bolsa da Fundação Memorial Guggenheim. Mais tarde, voltou ao Brasil e se estabeleceu em Belo Horizonte.
Neoconcretismo e a relação artística entre duas cidades do Brasil

O neoconcretismo foi um movimento artístico localizado no Rio de Janeiro em contraposição ao movimento concreto, nascido em São Paulo. Foi criado na década de 1950, quando o país vivia uma fase excepcional de desenvolvimento em todas as áreas: econômica, política e cultural. O neoconcretismo surge a partir do movimento concreto.

Embora, por outro lado, eles tivessem grandes diferenças que podem ser vistas não apenas na concepção da arte, mas nas cores utilizadas nas pinturas e também no modo de pensar a cidade e o cotidiano. As ideias também mostram as ambivalências, diferenças e características das duas grandes e mais famosas cidades do Brasil.

Concretismo e neoconcretismo surgiram nesse mesmo período, trazendo algumas características e acrescentando outras. A arte, como expressão social, reflete o ambiente social na subjetividade do artista, assim como a subjetividade do artista é um reflexo do ambiente social. Os dois movimentos brasileiros surgiram nesse contexto e sua história está diretamente ligada ao panorama político e cultural do país.

O neoconcretismo nascido no Rio de Janeiro em 1959, com a publicação do Manifesto de Neoconcretos pelo poeta Ferreira Gullar, rompe com a apreensão de uma arte inteiramente racional e rígida e inicia a realização de uma obra artística “concreta”, mas mais suave, com o uso de uma subjetividade inerente à arte.

Esse movimento permitiu a adição de outras cores e formas, bem como a imaginação do artista. A arte seguiu os contornos da cidade do Rio, acompanhou a intensidade das cores graças ao sol. Os artistas não eram completamente independentes para fazer o que queriam, mas a paleta de cores era mais ampla. A arte dos neoconcretos tinha um esboço muito específico e a apreensão da racionalidade seguia outro caminho.

Período acadêmico
Após voltar para sua cidade natal, o mineiro passa a dedicar-se a atividades voltadas para a área da educação. Tornou-se professor na Fundação Escola Guignard entre os anos de 1974 até 1977. Em resumo, passou a ensinar expressões bidimensionais e tridimensionais.
Além disso tornou-se também professor de composição e esculturas da Escola de Belas Artes na Universidade Federal de Minas Gerais, cargo que ocupou durante 11 anos, entre 1979 até 1990. Conciliou ainda no ano de 1979 uma turma de escultura na Fundação de Arte de Ouro Preto.
O período em que esteve ligado a área acadêmica não o fez parar de produzir e criar suas esculturas. Durante esse período retomou com intensidade os desenhos gráficos, dando continuidade à escultura que começara a elaborar antes de seu período em solo americano.
De Castro desenvolve esse tipo de trabalho até sua morte. Ele é capaz de expressar a leveza de uma folha de papel em suas esculturas de aço, criando inúmeras variações do mesmo plano.
Diálogo de suas obras
Seu trabalho emprega o corpo, a materialidade e a geometria para abordar abstratamente ocorrências familiares, mas muitas vezes despercebidas, como a experiência cotidiana de como um corpo interage, altera e geralmente se move pelo mundo.

Ao longo de 4 décadas seus trabalhos não sofreram qualquer desvio, mantendo-a sempre em perfeito equilíbrio. Suas obras permanecem em constante diálogo com o espaço externo onde estão situadas. Suas esculturas são concisas, austeras, enxutas, e esse diálogo surge a partir da solidão que acompanha o artista. Tornou-se mestre do corte e da dobra de ferro, fazendo com que suas obras pareçam estabelecer um monólogo sobre si mesmas, em constante indagação crítica.

Ao longo de mais de 50 anos, seus trabalhos apresentam uma potência poética e solidificação de uma linguagem pessoal. Isso acontece através da experimentação dos mais diversos materiais e diferentes técnicas que o artista passou a utilziar. Desde esculturas, desenhos, gravuras e projetos gráficos. Entretanto, o aço Cor-Ten é o elemento forte e predileto nas execuções da grande maioria de suas obras.

O intuito de Amilcar de Castro é dialogar com as raízes construtivas que anunciam diversas novas possibilidades ligadas ao pensamento geométrico da arte, como atividade de construção social.

Arlequina: história, significado e muito mais (Texto publicado para Agência Pandartt)



A indústria dos quadrinhos vive sua era de ouro para modelos femininos extraordinários. A cada poucos meses, temos mais séries estrelando mulheres que merecem ser admiradas: super-heroínas que lutam contra o sexismo no trabalho de dia e combatem o mal à noite, detetives duronas que lutam para evitar crises públicas e pessoais, adolescentes tentando construir um mundo mais gentil e livre de preconceitos. E entre elas, usando maquiagem de palhaço, encontra-se a antítese de tudo isso, Arlequina.

Origem da personagem

Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, a história da Arlequina não começou nas páginas dos quadrinhos. Ela apareceu pela primeira vez em um meio completamente diferente. Paul Dini a criou em um episódio de 1992 da série Batman: The Animated Series, intitulado “Favor do Coringa”. Na série, a personagem foi apresentada sem alarde, apenas como uma das capangas do inimigo número 1 do Batman, ainda que com visual e voz distintas.

Arlequina era para ser nada mais do que um personagem de apenas um episódio quando fez sua estreia na série. Mas ela rapidamente se tornou uma das personagens favoritas dos fãs. Primeiro, dando ao Coringa uma parceira que mudaria seu caráter para sempre, então se tornando um ícone feminista e um fenômeno de merchandising.

Uma personagem que posteriormente transitou pelos desenhos animados, histórias em quadrinhos, videogames e mais recentemente às telonas, interpretada por Margot Robbie.

A história surpreendente da personagem aconteceu quando o escritor Paul Dini estava doente em casa e por acaso assistiu a um episódio da telenovela Days Of Our Lives na TV. Um dos personagens tocava um arlequim em uma sequência de sonhos, o fazendo pensar.

Quando viu aquilo lembrou que outros personagens como Charada e Pinguim tinham suas próprias gangues, por que não o Coringa?

Partindo do nome, um trocadilho com a palavra arlequim, houve uma série de pesquisas sobre como seria o traje da personagem. Pegaram o chapéu de bobo da corte e os padrões de diamante, o colarinho franzino e as bolinhas, entre outras características.

Para os padrões das cores vermelha e preta em seu traje, a ideia surgiu de um personagem clássico dos quadrinhos dos anos 40 chamado Demolidor. O personagem tinha uma roupa colada ao corpo metade preta e metade vermelha, então os criadores não pensaram muito em copiá-la.


Personalidade forte

Harleen Frances Quinzel, a Arlequina é a personagem feminina mais vendida nos quadrinhos, sendo casualmente homicida, alegremente amoral e mentalmente desequilibrada.

Não é de admirar que Arlequina tenha se tornado um personagem tão controverso na cultura pop. Alguns a abraçaram como um ícone do feminismo, por ser uma vilã louca e violenta como vilões masculinos. Mas outros argumentam que ela é apenas o brinquedo do Coringa, especialmente depois que ela troca de roupa. Na televisão, nos quadrinhos, nos videogames e agora no cinema, ela encarna esses dois papéis, a da doutora e da psicopata.

Arlequina foi introduzida na série para ser apenas uma das capangas do Coringa. Como única integrante feminina do grupo de vilões, ela tinha um segredo não tão secreto: era apaixonada pelo seu chefe lunático.

Porém seus sentimentos permaneceram não correspondidos, pois os produtores não gostavam da ideia do Coringa ter uma namorada, já que isso o tornaria mais humano e mais simpático. A série, mesmo que infantil, estava escrita para trazer um Coringa mais sério.

Mesmo assim ela voltou para mais um episódio antes de enfim tornar-se uma personagem regular. Ela não era apenas uma mulher com curvas acentuadas em uma fantasia apertada, como também encarava os homens de igual para igual.

No climax de um dos episódios ela diz ao Batman “Eu sei o que você está pensando! ‘Que vergonha, pobre coitadinha inocente como ela, enganada por más companhias!’”. Antes de pegar uma faca e tentar matá-lo.

Ainda que problemática ela tornou-se um dos pilares da série. O Coringa era abusivo em relação à Arlequina, batendo ou jogando-a para fora de um prédio, tudo isso enquanto praticava seus jogos mentais sádicos com ela. Mas ela estava apaixonada.

A série retratou os padrões de violência doméstica contra a mulher, onde ele a espancava e maltratava antes de cortejá-la. Em certo momento ela se explicava “não entenda mal, meu Pudinzinho é um pouco rude, mas ele me ama de verdade”.

Isso não quer dizer que ela não se rebelou. Em um certo episódio, chocada que o Coringa a abandonaria por uma missão para explodir Gotham, Arlequina apontou uma metralhadora para ele, que zombou dizendo: “Você não tem coragem”.

Acontece que quando ela puxou o gatilho, a arma apenas disparou uma placa escrita “Rat tat tat”. Mas sua vontade de matar seu agressor, aparentemente, foi uma mudança para o Coringa, e os dois se uniram.

Quadrinhos

Depois da personagem já ter conquistado seu espaço dentro do universo do morcego, era hora de contar como Arlequina se juntou ao sádico Coringa.

No quadrinho Batman Adventures: Mad Love, Harleen Quinzel foi apresentada como uma doutora psiquiatra que trabalhou no Asilo Arkham. Enquanto estava lá, Harleen ficou muito interessada nas várias psicoses do Coringa. Prometendo que desbancaria o vilão, começou a escrever artigo sobre seus métodos de trabalho, onde os dois passaram por muitas horas sozinhos em suas sessões.

Durante essas interações intensas, em vez disso, foi o Coringa que dobrou Harleen. O vilão entrou em sua mente e quando ele escapou do asilo, ela se preocupou com a segurança dele. Quando Batman capturou o Coringa e o trouxe de volta para a prisão, o amor de Harleen pelo vilão foi exposto.

O videogame e a repaginada na personagem

Arlequina evoluiu desde os anos 90, tanto no visual quanto no comportamento. A maior mudança veio em 2009 com o popular videogame Batman: Arkham Asylum, onde ela trocou seu traje vermelho e preto de corpo inteiro por um espartilho muito mais revelador e tranças loiras.
A história de seu relacionamento com o Coringa também ficou mais sombria. No jogo, ela claramente perdeu sua sanidade e não tem esperança de escapar do abuso.

Novos 52 e Esquadrão Suicida

A Arlequina encontrada nos quadrinhos Novos 52 parece ser uma mistura da personagem original e da encontrada na nova série de videogames. É nos Novos 52 que ela se torna um membro do Esquadrão Suicida, um grupo ao qual ela nunca foi amarrada anteriormente. Lá ela ostenta ainda outro olhar e uma atitude um pouco mais agressiva.